Neil Young: “Le noise”

Os (poucos, mas fiéis e seletos) leitores do blog  já se acostumaram (?) a ler lá no alto aquilo que no jornalismo chamamos de “retranca”. É o recurso que se usa para anunciar o assunto que se vai abordar no texto a seguir. Por exemplo, “Futebol”, “Literatura”, “Cinema”, “Música”. Uma informação sucinta, mas abrangente, normalmente dedicada a grandes temas. Bom, este texto inaugura uma nova retranca aqui no blog, chamada “Neil Young”. Isso porque, concordando com Emmylou Harris, grande cantora norte-americana de country e folk, ”existe a música e existe Neil Young”. Eu já pensava assim desde os meus 16 anos. Quem leu os posts anteriores sobre o homem aqui no blog sabe disso. Pois é assim: a cada novo trabalho, esse canadense genial, que completou 65 anos em novembro, dá provas de que a tese de Emmylou (que ela, claro, plagiou – ainda que com honestidade de sentimentos – deste que vos escreve) é absolutamente correta. Não há nada igual à música de Neil Young, não existe nada que sequer soe parecido. It is unique. O CD “Le noise”, lançado na reta final de 2010 e já disponível no Brasil, traz Neil Young tocando sozinho, ora guitarra, ora violão. Não tem banda, não tem backing vocals. Umas guitarras sujas, maravilhosas, como sempre. Uns violões melancólicos, bonitos de doer, como sempre. O vigor com que ele canta e toca é impressionante, mesmo para aqueles que estão acostumados à sua música. O sujeito não fica velho. Nunca ficará. Uma das músicas “Love and war” lembra, em alguns momentos, uma bela milonga. O que me fez imaginar Neil Young tocando em Uruguaiana, numa roda de churrasco com fogo de chão e chimarrão. Viagens. Aliás, estou fazendo uns cálculos. (Isso, como se sabe, depois de um certo momento na vida não é boa ideia. Mas vamos lá.) Faço 46 anos em abril. Comecei a ouvir Neil Young aos 16, num velho compacto com “Sugar Mountain” de um lado e “Heart of Gold” do outro. Ou seja, lá se vão 30 anos de fiel acompanhamento da carreira – algumas dezenas de CDs, fitas de vídeo, DVDs, biografias e um show delirante no Rock in Rio III, em 20 de  janeiro de 2001. Até aqui, portanto, 30 anos com a melhor trilha sonora que uma vida pode ter. Pelo menos, claro, na minha opinião. Porque para mim é assim, cada vez mais: existe a música e existe Neil Young. É dessa forma que sinto e penso, há muito tempo. E Emmylou também.

apenas um comentário

  1. alexandre de carvalho Lovato on

    Caro irmão, falar sobre Neil Young é falar da nossa juventude.É falar sobre My My Hey Hey é recordar de tempos idos. Minha preferida é Traysher, essa mesmo do Rust Never Sleeps. Young não envelece nunca, ou melhor, ele matura.Certa feita, em alguma entrevista dada por Mr N. Young, teria dito que o dia que estivesse ultrapassado sairia de cena na boa! Só que o velho matura como vinho.é ótimo!


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.