Futebol: centroavantes
Os homens da camisa 9. Isso já foi mais rígido, mais – digamos assim – sagrado. Hoje eles podem ser o camisa 11, 38 ou 99. Mas continuam sendo os caras encarregados de botar a bola pra dentro. Os matadores. Ou então as vítimas da vaia e do sarcasmo quando não conseguem fazer isso.
É o caso de Washington, do Fluminense. Tem 10 gols no Brasileirão e está há 12 (!) sem marcar. Ontem, contra o Vasco, no Engenhão, perdeu um gol de forma inacreditável no finzinho do jogo. Washington já provou que é um centroavante competente. Talvez esteja lhe faltando autoconfiança. É muito provável que seja isso. Há uma hesitação no chute, um receio na hora de colocar o pé na bola. E quanto mais tenta e erra, mais a ansiedade aumenta. A ansidedade do centroavante que não consegue fazer a rede balançar. É brabo.
Autoconfiança é o que não falta a Jonas, do Grêmio, 21 gols no campeonato. Tudo o que ele tenta dá certo (perdão pelo lugar-comum, não consegui evitar). Mas não é apenas isso. Resumir a boa fase de Jonas à autoconfiança seria injusto com o jogador. Jonas está se aprimorando não apenas como centroavante, mas como jogador de futebol. Sua evolução é rápida e evidente. Sai da área, prepara a jogada, serve os companheiros e, claro, estufa a rede, principalmente. Tem crédito com a torcida (e a cada gol o crédito aumenta, lógico), tem a confiança do técnico Renato e a estima dos companheiros. Precisa mais o quê?
André Lima, um dos parceiros de Jonas no Grêmio, é outro exemplo dos benefícios que um bom ambiente de trabalho pode trazer. Criticado por torcedores de Botafogo e Fluminense, seus ex-clubes no Rio, já fez nove gols em 18 partidas neste campeonato. Era reserva de Borges, que se lesionou e só retorna aos gramados em 2011. André está feliz no Grêmio. Mas é felicidade de centroavante: uma felicidade de poucos sorrisos, de muitas pancadas sofridas no tornozelo e daquele grito incontido quando corre de braços abertos para a torcida na geral.
E o que dizer de Loco Abreu, do Botafogo? Carismático, dono de um futebol malandro e malicioso, ele é um dos grandes personagens deste Brasileirão. Aos 34 anos, o veterano Abreu é mais uma prova de que existe, no Uruguai, uma tradicional e eficiente escola que forma não apenas de jogadores de futebol, mas homens que se entregam ao jogo de tal forma que fica impossível não admirá-los.