Cinema: “Antes que o mundo acabe”

    É um filme belíssimo, sobre ritos de passagem, amizade, amor, resgate de relacionamentos. Uma produção da prolífica e referencial Casa de Cinema de Porto Alegre, “Antes que o mundo acabe” marca a estreia de Ana Luiza Azevedo na direção de longas. Jorge Furtado é um dos roteiristas. A história se passa numa pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul. Daniel (Pedro Tergolina) tem 15 anos e está num daqueles momentos que só se vive quando se tem 15 anos: o pai, que desapareceu há exatos 15 anos (ou seja, quando Daniel nasceu), ressurge, através de cartas enviadas da Tailândia – lindas cartas, aliás; a namorada está indecisa quanto ao relacionamento deles e, o que é pior, fica dividida entre Daniel e seu melhor amigo, Lucas, que, por sua vez, é acusado de roubo na escola. É um filme simples, emocionante, de uma fluência magistral e marcado por grandes desempenhos dos atores (das crianças aos veteranos). Não há quem não se veja representado na tela, de uma ou outra forma, em um ou outro momento. Para quem morava no Rio Grande do Sul quando tinha 15 anos, como se passou com este que vos escreve, aí o que acontece é que fica difícil, muito difícil, sair do cinema antes que suma da tela o último crédito e o pessoal da limpeza comece a olhar atravessado. E então sai-se à rua achando que o mundo, de repente, ficou muito melhor. E que o que passou, ora bolas, é eterno.

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